Representantes de sociedade civil e setor público definem prioridades para implementação de Objetivos Globais no país em 2024 e 2025.
Comissão Nacional para os ODS discute prioridades para implementação da Agenda 2030 no Brasil
19 de Março de 2024
Reuniões da CNODS em Brasília (DF) definem plano de trabalho para implementação dos Objetivos Globais no Brasil em 2024 e 2025.
A Comissão Nacional para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (CNODS) reúne-se nesta semana em Brasília (DF) para discutir o plano de trabalho da entidade para 2024 e 2025, incluindo desafios e oportunidades da territorialização dos Objetivos Globais, da construção de metas e indicadores de monitoramento para os ODS em geral e para o ODS 18 (igualdade racial) e da disseminação da Agenda 2030 na população brasileira.
Recriada no ano passado pelo governo federal com apoio do PNUD, a Comissão Nacional para os ODS contribui para a internalização da Agenda 2030 no país, estimula sua implementação em todas as esferas de governo e junto à sociedade civil, além de acompanhar, difundir e dar transparência às ações para o alcance das suas metas e ao progresso no alcance dos ODS.
A Comissão é composta por 42 representantes ministeriais, 42 representantes da sociedade civil e quatro representantes de governos locais e estaduais, incluindo frentes e associações nacionais que reúnem municípios. As reuniões desta semana deverão criar comissões temáticas que abordarão a implementação da Agenda 2030 no país. Algumas delas já foram criadas, incluindo a referente ao ODS 18 (igualdade racial) – criado pelo Brasil – , à proteção de povos e comunidades tradicionais e à territorialização dos ODS.
"Nossa prioridade para 2024 é fortalecer a governança da Comissão, o protagonismo da sociedade civil, possibilitando que as organizações possam dialogar e construir espaços de autonomia", disse a secretária-executiva da Secretaria Geral da Presidência da República, Kelli Mafort. "Também é fundamental estruturar as metas e indicadores do ODS 18 e impulsionar a territorialização dos ODS", completou, referindo-se, respectivamente, ao ODS a que o Brasil aderiu voluntariamente e ao processo de "tradução" dos Objetivos Globais à realidade local.
O PNUD tem apoiado a criação e a implementação da Comissão Nacional para os ODS por meio de projeto de parceria com a Secretaria Geral da Presidência da República para fornecer assessoria técnica e orientações para garantir mais participação de sociedade civil, setor privado e academia no acompanhamento do alcance dos Objetivos Globais no Brasil. "Se não tivéssemos tido o apoio do PNUD, não teríamos conseguido acelerar o processo de recriação da CNODS", disse o secretário-geral da Comissão, Sérgio Godoy.
A sociedade civil foi representada na mesa de abertura do encontro por Débora Rodrigues, membro da diretoria executiva da Abong (Organizações em Defesa dos Direitos e Bens Comuns), e por Juliana César, do GT Agenda 2030. "Para avançarmos, é necessário que a Agenda 2030 chegue até as pessoas nos territórios, que ela seja inserida transversalmente em todas as agendas: de segurança alimentar, ambiental, mobilidade, mulheres", declarou Rodrigues. Para Juliana César, é importante que a Comissão seja transformada em Conselho por meio de projeto de lei. Instituída pelo Decreto Presidencial nº 11.704, de 14 de setembro de 2023, a CNODS é um colegiado de natureza consultiva.
A cerimônia de abertura das reuniões da semana teve a presença de representantes da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que abordaram a importância da recriação da Comissão em um momento crucial da Agenda 2030, marcado por retrocessos provocados pela pandemia de COVID-19 e conflitos globais.
Na opinião do coordenador da Estratégia Fiocruz para a Agenda 2030, Paulo Gadelha, é importante que a CNODS trabalhe a ação climática de forma atrelada à Agenda 2030. "A qualificação da agenda climática só faz sentido dentro da Agenda 2030, que não deixa ninguém para trás, conecta-se com todas as dimensões onde o clima vai mostrar seus efeitos", disse, enfatizando que esta deve ser uma das prioridades da Comissão. Gadelha também endossou a importância da territorialização dos ODS. "Quase 70% da realização da Agenda 2030 se dá nos territórios."
O trabalho de construção de indicadores de monitoramento dos avanços da Agenda 2030 no Brasil, assim como a construção do Relatório Nacional Voluntário (RNV) que será apresentado pelo país neste ano na sede da ONU, em Nova York, foi abordado por representantes de IBGE e Ipea, presentes no evento. A principal função de Fiocruz, Ipea e do IBGE é prestar assessoria técnica à Comissão. Os institutos atuarão para que sejam atingidos os objetivos de internalizar, difundir e dar transparência ao processo de implantação da Agenda 2030, com ações voltadas para as dimensões econômica, social, ambiental e institucional.
"A produção de indicadores e a nacionalização das metas da Agenda 2030 são grandes desafios, já que muitas metas globais não dialogam com as do Brasil", disse a técnica de planejamento e pesquisa do Ipea, Enid Rocha. Segundo ela, os trabalhos da CNODS e a elaboração do Relatório Voluntário Nacional virão justamente para superar tais gargalos.
O mesmo desafio é apontado pela gerente de relações institucionais do IBGE, Denise Maria Penna. "Como próximos passos, precisamos avançar na produção de indicadores, não só globais e regionais, mas nacionais. Temos 80 metas sem nenhum indicador, porque não temos dados ou eles precisam ser mais bem organizados", concluiu.