Efeitos da crise vão muito além dos países diretamente afetados, recaindo com mais força sobre os pobres e mais vulneráveis.
Escalada militar no Oriente Médio pode empurrar mais de 30 milhões de pessoas para a pobreza, alerta PNUD
25 de Abril de 2026
Dezenas de milhões de pessoas correm o risco de cair na pobreza em 162 países, de acordo com novas projeções divulgadas pelo PNUD.
Nova York – A escalada militar em curso no Oriente Médio coloca dezenas de milhões de pessoas em risco de cair na pobreza em 162 países, de acordo com novas projeções divulgadas pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).
Embora os impactos estejam concentrados nos países diretamente afetados pelo conflito e naqueles dependentes da importação de energia, os resultados apontam para danos significativos de longo prazo em países mais pobres, muito distantes dos combates.
As conclusões são apresentadas em uma nova nota de política pública – Escalada militar no Oriente Médio: retrocessos no desenvolvimento global, opções de resposta em políticas públicas – que utiliza modelagens do Global Trade Analysis Project (GTAP) para avaliar impactos econômicos em cenários que variam de uma disrupção de curta duração a choques prolongados, com duração de até oito meses.
Agora em sua oitava semana, os impactos estão evoluindo de uma fase “aguda” para uma fase “duradoura”. Quanto mais essa fase se prolonga, mais elevado o risco de aceleração das quedas na pobreza em países vulneráveis, revela o estudo. No pior cenário, outras 32 milhões de pessoas poderiam ser empurradas para a pobreza.
Países da região do Golfo, da Ásia, da África Subsaariana e dos Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento são especialmente vulneráveis, aponta a nota.
“O conflito é o desenvolvimento ao contrário. Guerras podem desfazer em semanas o que os países levaram anos para construir”, afirmou o Administrador do PNUD e Subsecretário-Geral da ONU, Alexander De Croo. “Esta nova análise mostra que o choque da escalada do conflito no Oriente Médio não se limita aos países diretamente afetados, mas recai de forma desproporcional sobre aqueles com menor espaço fiscal para absorver a alta dos preços de energia e alimentos. Para esses países, a crise impõe escolhas impossíveis entre estabilizar preços hoje e financiar saúde, educação e emprego amanhã. Isso é inaceitável — e evitável. A ação precoce em políticas públicas é fundamental.”
O PNUD apresenta opções de políticas para ajudar os países a mitigar os efeitos do conflito em cada cenário projetado. A principal recomendação é que os formuladores de políticas considerem transferências de renda direcionadas e temporárias para proteger domicílios pobres e vulneráveis como primeira linha de defesa. Dependendo do cenário, até US$ 6 bilhões em transferências em dinheiro seriam necessários para que essa medida fosse eficaz.
Outras recomendações incluem subsídios ou vouchers temporários e direcionados para “faixas consumo” mínimas de eletricidade ou gás de cozinha. A nota alerta para os subsídios energéticos generalizados — amplamente utilizados em economias em desenvolvimento — que favorecem de forma desproporcional os lares mais ricos em detrimento dos que mais precisam, além de serem financeiramente insustentáveis ao longo do tempo.
A nota faz parte de uma série de análises socioeconômicas produzidas pelo PNUD sobre os impactos da crise no Oriente Médio no Irã e na região, com o objetivo de ajudar formuladores de políticas a compreender as consequências para o desenvolvimento humano e identificar opções de resposta. Uma análise adicional cobrindo a região da Ásia-Pacífico será divulgada em breve.
Leia o relatório completo
A nota de política pública completa está disponível online em:
www.undp.org/publications/military-escalation-middle-east-reversals-global-development-policy-response-options
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